DJ Mariachi funde funk e eletrônica no EP Para-Noia e acelera a revolução periférica
Segundo volume de trilogia do produtor eleva BPMs e busca pistas globais sem abrir mão do groove brasileiro
O produtor DJ Mariachi lançou em 1 de outubro o EP Para-Noia, segundo capítulo de uma trilogia que começou com Colapso e promete fechar com Meu Mundo. Distribuído pela ONErpm e disponível em todas as plataformas digitais, o trabalho aprofunda a fusão entre funk brasileiro e música eletrônica que marcou o primeiro volume.
De Colapso a Para-Noia
Se Colapso usava a estética do funk para retratar o caos, Para-Noia acelera o processo com BPMs elevados e elementos eletrônicos mais evidentes. "Essa segunda parte deixa os elementos do eletrônico ainda mais perceptíveis", explica Mariachi, que busca o dinamismo das pistas globais sem perder o groove da periferia.
O EP consolida o nome de Mariachi na MEPB (Música Eletrônica Periférica Brasileira), movimento que une batidas de baile funk a texturas de techno, house e bass music. Faixas como Tuf Tuf Pof Pof e Cyclonado Submundo, lançadas anteriormente, já antecipavam essa direção.
Periferia no circuito global
Com passagens por eventos como o Subverso, Mariachi representa uma geração de produtores que enxerga o funk não como gênero local, mas como matéria-prima para sonoridades que dialogam com festivais de eletrônica ao redor do mundo. A proposta ecoa nomes como Mochakk e DJ K, que também levaram o funk para circuitos internacionais nos últimos anos.
Para-Noia chega num momento em que o gênero vive um ciclo de expansão. O funk respondeu por 20% dos acessos do público do Festas em SP nos últimos meses, e a busca por sonoridades que cruzam fronteiras entre baile e pista eletrônica é cada vez maior.
O terceiro EP, Meu Mundo, ainda não tem data confirmada. Com Para-Noia, Mariachi entrega uma transição sonora que documenta o que acontece quando o funk brasileiro olha para fora e encontra seu espaço em qualquer pista.
