Sinfonia em Quadrinhos, álbum póstumo de Hermeto Pascoal, realiza desejo do Bruxo gravado antes de sua morte
Álbum lançado em maio de 2026 traz a versão de estúdio de obra apresentada ao vivo em 1986 no MASP com a Orquestra Jovem Tom Jobim
Hermeto Pascoal morreu em setembro de 2025, aos 89 anos, deixando para trás uma obra que redefiniu os limites da música brasileira. Um de seus últimos desejos realizados foi gravar em estúdio a Sinfonia em Quadrinhos, composição que havia sido apresentada ao vivo pela primeira vez em 1986, no MASP, com a Orquestra Jovem Tom Jobim.
O álbum póstumo chegou às plataformas em 27 de maio de 2026, lançado pelo selo Scubidu Music com distribuição da Tratore. A gravação de estúdio foi concluída antes do falecimento do músico, que supervisionou pessoalmente as sessões e aprovou o resultado final.
Da apresentação no MASP ao estúdio
A versão original de 1986 ficou registrada em uma gravação ao vivo de qualidade limitada, mas que capturava a energia e a invenção de Hermeto no comando de uma orquestra jovem. O músico alagoano transformava qualquer instrumento convencional em ferramenta de experimentação, e a sinfonia não era exceção: combinava trechos orquestrados com improvisos, efeitos sonoros inusitados e humor musical.
A versão de estúdio preserva o espírito do original enquanto ganha clareza sonora e detalhes que a gravação ao vivo não permitia perceber. Para Hermeto, que chamava a si mesmo de "O Bruxo", a sinfonia era um projeto pessoal que esperava quase quatro décadas por sua realização completa.
Legado premiado
Hermeto Pascoal acumulou três vitórias no Grammy Latino ao longo da carreira, incluindo o prêmio de Melhor Álbum de Jazz por "Prá Você, Ilza" em 2024. Nascido em Lagoa da Canoa, Alagoas, ele construiu uma discografia que cruzou jazz, forró, música erudita, sons da natureza e invenções que desafiavam categorização.
Sinfonia em Quadrinhos funciona como um episódio final de uma carreira que nunca se repetiu. O álbum não é uma homenagem póstuma montada por terceiros, mas um trabalho que Hermeto concebeu, ensaiou e gravou em vida. Ouvi-lo é escutar a última palavra de um artista que passou décadas inventando palavras que a música ainda não tinha.
