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Stephan Bodzin e o Brasil: o álbum nascido na Bahia sob a Via Láctea

O produtor alemão passou dois meses no litoral baiano durante o lockdown e transformou o período em Boavista, seu terceiro álbum de estúdio

por Redação Festas · 25 de jun de 2026
Stephan Bodzin e o Brasil: o álbum nascido na Bahia sob a Via Láctea
Divulgação

Stephan Bodzin não se considera DJ. Ele diz isso abertamente. Nascido em 1969 em Bremen, na Alemanha, filho de um músico que mantinha em casa sintetizadores como ARP 2600, Memorymoog e Polysix, o produtor cresceu mexendo nessas máquinas desde os quatro anos de idade. Antes de chegar ao techno, foi pianista, baixista, compositor de trilhas para teatro experimental. O formato de show ao vivo, que ele apresenta nesta quinta no Distrito Anhembi pela ERRORR, nasceu justamente da admissão de que discotecagem nunca foi o forte dele.

Dois meses na Bahia que viraram álbum

Em 2020, no auge do lockdown, amigos convidaram Bodzin para passar uma temporada numa casa na Bahia. Ele levou a família, um laptop, fones de ouvido e um pequeno controlador MIDI. Depois de semanas sem produzir, abriu o computador e tudo que tentava soava diferente. Criou um ritual: uma faixa por noite, seguida de uma sessão de fotografia da Via Láctea no céu do litoral baiano.

Desse período nasceram entre 20 e 30 composições. As 17 melhores se tornaram "Boavista", seu terceiro álbum, lançado em outubro de 2021 pela própria Herzblut Recordings. O nome vem do português: boa vista. Uma referência à paisagem, mas também a uma nova perspectiva sobre a vida.

O Moog que não salva nada

O setup de Bodzin é construído em torno de sintetizadores analógicos. O Moog Sub37, que ele chama de "espinha dorsal" do som, e o Moog Matriarch, um semi-modular que não salva presets. Cada som precisa ser criado do zero, ao vivo. Bodzin assume que isso produz erros aleatórios e, às vezes, os melhores momentos da apresentação. A coincidência com o nome da festa é difícil de ignorar.

Curiosidades

"Astronautin", uma das faixas de "Boavista", nasceu de uma conversa com a filha, que disse querer ser astronauta quando crescer. "Powers of Ten", do álbum anterior, é uma homenagem declarada a Bob Moog, inventor do sintetizador e herói de Bodzin desde a infância. Hoje ele vive em Lisboa e segue lançando pelo próprio selo, mantendo uma carreira que já inclui remixes de Depeche Mode e The Knife.

Serviço

EЯЯORR São Paulo, 26 de junho de 2026. Pavilhão do Distrito Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1209. Ingressos a partir de R$ 166. Pelo FESTAS, o ingresso sai com 5% de desconto.

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